Sabemos que uma das grandes dificuldades para a
divulgação do tema Propriedade Intelectual é sua aridez para os leigos. Apenas
um pequeno grupo de iniciados na matéria parece extrair um certo prazer de sua
narrativa, como se vislumbrasse os meandros e as derivações possíveis de grande
impacto que podem gerar o seu desenvolvimento em relação ao cotidiano da
sociedade.
Este desafio poderia ser enfrentado de diversas
formas. Uma delas é a sua inserção em programas televisivos específicos, tal
como, por exemplo, Globo Ciência, Globo Universidade ou Globo Rural. Não foram
poucas as vezes em que vi patentes, indicações geográficas, desenhos
industriais, marcas, etc, serem mencionados nesse grupo de programas gerado
pela Vênus Platinada. O problema: são voltados para públicos específicos. Seus
índices de audiência, até mesmo pelos horários ingratos nos quais são
veiculados, refletem isso. Mas não deixa de ter sua lógica em buscar os
chamados formadores de opinião – futuros e atuais – mesmo que estes atinjam
determinados nichos.
Porém, recentemente fui atingido por uma
experiência distinta, e de maneira casual. Viajando a trabalho para a República
Dominicana, estava eu a bordo de um avião da Copa Airlines. Eles, além de
veicularem filmes durante os vôos de mais longo alcance, também passam séries
norte-americanas de TV. Uma específica me chamou a atenção: “Suits”, ou na
tradução gerada para a TV Brasileira “Homens de Terno” (1).
Nesta série, um jovem advogado é instado a resolver
pequenas pendências em seu processo de treinamento numa grande firma de
advocacia. Para tanto ele deve seguir os passos de seu supervisor/mentor. Dessa
forma, uma série de casos se passam por cada episódio. Especificamente o que
foi por mim assistido dizia respeito, numa de suas linhas de ação, um litígio
envolvendo uma patente.
Impressionante como o posicionamento apresentado –
desde a urgência em se depositar a patente primeiro, até a interposição de uma
oposição para invalidar um pedido que teria dado entrada horas antes, até a
estratégia de uma suposta divulgação na internet antes da autorização do
requerente original pelo inventor legítimo, o que poderia invalidá-la por se
dar antes de sua saída do período de sigilo, diminuindo seu valor de mercado,
uma vez que os concorrentes poderiam antecipar sua corrida por novas inovações
- são jogadas ao telespectador numa seqüência de tirar o fôlego. Isto não fosse
pela outra história paralela que corria, esta seria realmente a impressão.
Ou seja, os autores, a priori, tinham como condição
básica dar a devida emoção ao tema, considerado estéril por muitos, tendo como
base algo que ficou muito conhecido a partir de alguns Best Sellers da
literatura, voltados para o ambiente jurídico – tais como, por exemplo, aqueles
do autor John Grisham (2). Dessa forma, prendendo a atenção pelo viés jurídico,
e de relacionamento entre cliente e advogado, e a busca de uma solução urgente
para um imbróglio aparentemente insolúvel, as pessoas têm sua atenção atraída
para entenderem o básico do tema.
Obviamente para mim, que já sou um iniciado na
matéria, tudo ficou mais fácil. Do contrário, poderia ter caído na mesma
não-motivação gerada pelo pequena – mas forte menção – dada á Propriedade
Intelectual, de maneira negativa, no filme chamado “The Vow” (Para Sempre) –
2012 (3). Neste, uma jovem artista plástica, que por motivos inusitados, busca
retomar seu caminho como estudante de Direito, é personagem de uma cena em que
ela, durante uma aula de Direito Autoral, se põe a desenhar em seu caderno. O
pai, um dos mecenas da universidade, ao procurá-la, encontra-a sentada num
banco no campus e lhe pergunta: - “Fiquei preocupado por não tê-la encontrada
próximo à Biblioteca. O que você achou da aula de Propriedade Intelectual?”.
Ela não responde, pois tinha assuntos mais importantes a tratar, como por
exemplo, retomar a carreira artística. Do que se deduz que o tema seria.... too boring! Será que há como reverter
esse lugar comum? “The Suits” provou que sim! Resta saber convencer alguns
“produtores” em terras não tão afeitas à importância do tema. Sonhar não custa
nada!
(1) Para
mais detalhes ver http://www.usanetwork.com/series/suits/theshow/overview.html
. A série foi adquirida para exibição no Brasil pela Record, porém sem previsão
ainda de estréia;
h Leopídeas: http://leopideas.blogspot.com.br/
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