sábado, 9 de junho de 2012

PI & MÍDIA, por Leopoldo Coutinho




Sabemos que uma das grandes dificuldades para a divulgação do tema Propriedade Intelectual é sua aridez para os leigos. Apenas um pequeno grupo de iniciados na matéria parece extrair um certo prazer de sua narrativa, como se vislumbrasse os meandros e as derivações possíveis de grande impacto que podem gerar o seu desenvolvimento em relação ao cotidiano da sociedade.

Este desafio poderia ser enfrentado de diversas formas. Uma delas é a sua inserção em programas televisivos específicos, tal como, por exemplo, Globo Ciência, Globo Universidade ou Globo Rural. Não foram poucas as vezes em que vi patentes, indicações geográficas, desenhos industriais, marcas, etc, serem mencionados nesse grupo de programas gerado pela Vênus Platinada. O problema: são voltados para públicos específicos. Seus índices de audiência, até mesmo pelos horários ingratos nos quais são veiculados, refletem isso. Mas não deixa de ter sua lógica em buscar os chamados formadores de opinião – futuros e atuais – mesmo que estes atinjam determinados nichos.

Porém, recentemente fui atingido por uma experiência distinta, e de maneira casual. Viajando a trabalho para a República Dominicana, estava eu a bordo de um avião da Copa Airlines. Eles, além de veicularem filmes durante os vôos de mais longo alcance, também passam séries norte-americanas de TV. Uma específica me chamou a atenção: “Suits”, ou na tradução gerada para a TV Brasileira “Homens de Terno” (1).

Nesta série, um jovem advogado é instado a resolver pequenas pendências em seu processo de treinamento numa grande firma de advocacia. Para tanto ele deve seguir os passos de seu supervisor/mentor. Dessa forma, uma série de casos se passam por cada episódio. Especificamente o que foi por mim assistido dizia respeito, numa de suas linhas de ação, um litígio envolvendo uma patente.

Impressionante como o posicionamento apresentado – desde a urgência em se depositar a patente primeiro, até a interposição de uma oposição para invalidar um pedido que teria dado entrada horas antes, até a estratégia de uma suposta divulgação na internet antes da autorização do requerente original pelo inventor legítimo, o que poderia invalidá-la por se dar antes de sua saída do período de sigilo, diminuindo seu valor de mercado, uma vez que os concorrentes poderiam antecipar sua corrida por novas inovações - são jogadas ao telespectador numa seqüência de tirar o fôlego. Isto não fosse pela outra história paralela que corria, esta seria realmente a impressão.

Ou seja, os autores, a priori, tinham como condição básica dar a devida emoção ao tema, considerado estéril por muitos, tendo como base algo que ficou muito conhecido a partir de alguns Best Sellers da literatura, voltados para o ambiente jurídico – tais como, por exemplo, aqueles do autor John Grisham (2). Dessa forma, prendendo a atenção pelo viés jurídico, e de relacionamento entre cliente e advogado, e a busca de uma solução urgente para um imbróglio aparentemente insolúvel, as pessoas têm sua atenção atraída para entenderem o básico do tema.

Obviamente para mim, que já sou um iniciado na matéria, tudo ficou mais fácil. Do contrário, poderia ter caído na mesma não-motivação gerada pelo pequena – mas forte menção – dada á Propriedade Intelectual, de maneira negativa, no filme chamado “The Vow” (Para Sempre) – 2012 (3). Neste, uma jovem artista plástica, que por motivos inusitados, busca retomar seu caminho como estudante de Direito, é personagem de uma cena em que ela, durante uma aula de Direito Autoral, se põe a desenhar em seu caderno. O pai, um dos mecenas da universidade, ao procurá-la, encontra-a sentada num banco no campus e lhe pergunta: - “Fiquei preocupado por não tê-la encontrada próximo à Biblioteca. O que você achou da aula de Propriedade Intelectual?”. Ela não responde, pois tinha assuntos mais importantes a tratar, como por exemplo, retomar a carreira artística. Do que se deduz que o tema seria.... too boring! Será que há como reverter esse lugar comum? “The Suits” provou que sim! Resta saber convencer alguns “produtores” em terras não tão afeitas à importância do tema. Sonhar não custa nada!

(1)    Para mais detalhes ver http://www.usanetwork.com/series/suits/theshow/overview.html . A série foi adquirida para exibição no Brasil pela Record, porém sem previsão ainda de estréia;
(2)    Para mais detalhes ver http://www.jgrisham.com/books/ ;


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