sábado, 9 de junho de 2012

Para empresa pequena, inovação é coisa de "adulto"

Dois artigos numa mesma edição de um jornal econômico (no caso, o Valor Econômico dos dias 8,9 e 10 de junho de 2012), ou melhor, um artigo e uma matéria tratam da dificuldade nacional em incluir a inovação na pauta das empresas.
Bem, empresas não têm pauta. Empresas têm objetivos estratégicos.
Definitivamente, inovação não está entre eles.
Lendo os dois textos - Só 20% das médias empresas usam leis de incentivo à inovação, diz estudo e A nova geografia econômica - fiquei com a nítida impressão de que estamos pregando no deserto, fazendo leis e criando incentivos sem nos preocupar em divulga-los. Se apenas 20% das médias empresas usam as leis de incentivo e o governo reconhece a existência de uma burocracia imensa que desestimula quem sabe das leis e dos créditos para inovação, alguma coisa está errada.
Podem argumentar que as leis são novas (a Lei da Propriedade Industrial é de 1996 e a Lei da Inovação é de 2004). Mas, o mundo de hoje não permite mais esse marasmo, essa demora.
A China não para. Em 2004 (diz o segundo artigo lincado acima), os chineses tinham registrados 107 centros independentes de pesquisa e desenvolvimento. Em 2010 chegavam a 1.100. O ritmo brasileiro é tão moroso que até os dados estatísticos são rarefeitos e ignorados (o referido artigo nem cita).
O problema, talvez, tenha uma veia ideológica. Patente, um dos mais conhecidos indicadores de inovação no mundo, é quase um palavrão para os brasileiros. Uns porque não sabem o que é, outros porque associam diretamente ao "capitalismo voraz" que a todos quer consumir, enriquecendo os ricos em detrimento dos mais altos valores sociais.
Afinal, a patente dá ao titular que investiu em pesquisa e desenvolvimento o privilégio de explorar os direitos econômicos de seu invento por 20 anos. Vejam a blasfêmia tripla em apenas uma frase: privilégio, exploração e direito econômico.
Os pequenos e médios empresários estão entre aqueles que "não sabem o que é". Os poucos que sabem, se assustam com tanta burocracia para ter direito aos incentivos para investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Eles estão mais preocupados em sobreviver, "deixa esse negócio de inovação para o futuro, quando não tiver mais que ficar procurando dinheiro para pagar as contas do mês (ou da semana)".
Estou pessimista. Enquanto o governo não criar um ambiente favorável ao negócio, seja indústria ou serviço,  os incentivos à inovação serão privilégios de poucos que já conseguiram se sustentar nas pernas.

Um comentário:

leop10 disse...

Em determinado momento da semana passada ouvi uma ponderação que pode ser resumida na seguinte frase: - "Ainda não temos capacidade - ou fôlego - suficiente para nos dedicarmos a isso: política1". Na verdade, esta frase se aplica perfeitamente à análise aqui apresentada. Numa economia em que o mais importante continua sendo sobreviver, poucas são as empresas que verdadeiramente têm tempo para planejar, quiçá pensar estrategicamente em inovação. Quanto à China, bem, deitada em berço esplêndido continua a se mover tal qual um transatlântico rumo ao que eles próprios consideram o seu verdadeiro lugar na história - ser um Império. Pode-se dizer que o Brasil tem a mesma ambição? Não creio, pelo menos enquanto estiver envoltos em temas mais vinculados às páginas policiais...