terça-feira, 15 de maio de 2012

Patenteando uma marca

Entre as pessoas que trabalham, estudam ou lidam com Propriedade Intelectual é comum uma crítica jocosa ao uso indevido de termos técnicos da área. Coisas do tipo: - Fulano é daqueles que perguntam como patentear uma marca.
Como se PI fosse um tema corriqueiro nas conversas de boteco e todo mundo soubesse que patente nada tem a ver com marcas... Ou será que, no final, finalzinho uma patente de sucesso não poderá estar associada a uma marca?
De qualquer forma, sou da teoria de que é melhor fazer qualquer coisa do que não fazer nada. 
Se para criar o hábito da leitura se começa por quadrinhos ou por aqueles livros de conteúdo ruim que vendem em bancas de jornal a R$ 10, não importa. O importante é que a leitura entre na vida das pessoas.
O mesmo vale para PI. Se tratarmos com respeito e atenção todos que nos perguntam "como posso patentear minha marca", respondendo com cuidado e orientando com clareza, começamos pouco a pouco a colocar o tema na pauta de assuntos das pessoas. 
É bem verdade que "patentear uma marca" já não é tão comum como há uns 10 anos. 
Ainda não temos a PI identificável no dia a dia do brasileiro como acontece com "selic", "ibovespa" e outros assuntos áridos da economia". Mas, com certeza ela já não é uma estranha total ( mesmo o mérito maior sendo da pirataria - assunto para depois). E aí, talvez, o mérito seja exatamente da flexibilização dos "técnicos".
Já não ficamos tão incomodados quando a imprensa fala em "quebrar patentes" quando o que querem dizer, mesmo, é que houve um licenciamento compulsório de determinada patente. 
Os funcionários do Instituto nacional da Propriedade Industrial - INPI não ficam mais tão irritados quando se referem ao tema como Propriedade Intelectual. É comum chamarem o INPI de Instituto Nacional da Propriedade Intelectual. Está errado? Está. Mas, está tão errado assim? Não.
Pior era quando ligavam para os telefones do INPI quando, na verdade queriam falar com o INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
Portanto, deixemos que falem em patentear uma marca. Se, na verdade o que queriam dizer era registrar uma marca, o importante é que estão reconhecendo o valor deste ativo intangível (outra expressão já não tão inusitada e obscura, para alguns).

5 comentários:

Susanices disse...

Também jocosamente, já disse algumas vezes: se o assunto PI estivesse em alguma novela da Rede Globo, provavelmente as expressões "patentear uma idéia e uma marca" ficariam no passado, assim como "quebra de patentes" seria corrigida.
Enfim, o caminho curto é utópico; mas, saímos da estaca zero há tempos.

Lúcia Motta disse...

Colo, aqui, o comentário do Leopoldo:
"A palavra "utópico", usada pela Susana em seu primeiro comentário, é a mais adequada para mim. Dizer que um dia PI estará numa conversa de bar, perdão, mas considero "utópico". Pontualmente, quando surge um tema "quente", como "quebra de patentes" - que convenhamos, entrou no imaginário das pessoas pelo mito do Robin Hood, tão afeito ao povão (infelizmente pela mesma raiz que determinados traficantes utilizaram durante algum tempo para dominar as comunidades em que se instalavam) - é que tal tema cai no boca a boca. Por este viés, o esforço dos órgãos governamentais deve ser sim, tentar educar pela linguagem correta. Assim como também não deve ter melindres quando a errada surge. Mas também não deve se iludir que tal tema terá vida duradoura fora dos meios usuais de debate. Por último, existe um problema em nossa análise: estamos tão imersos nesse contexto da PI, que para nós o surgimento de determinados debates parece estar já entrando no corrente do dia-a-dia de todos. Digo isto porque a menção à taxa selic, presente no texto da Lúcia, na verdade remete a um público formador de opinião que tem um domínio, mínimo que seja, da importância deste assunto para as suas vidas. Ou seja, mesmo que esteja nas manchetes, somente lê com lupa um pequeno grupo. Os demais tão mais afim de saber quanto mede a protuberãncia da mulher-samambaia. Resumo: vamos comemorar as "quebras-de-patente" da vida, ma non troppo."

Lúcia Motta disse...

Leopoldo, não estou comemorando nada. Apenas identifico alguns sinais positivos de maior entendimento sobre o tema PI. Nada além disso.
Nem estou comemorando, nem sonhando com o mundo maravilhoso da PI. Se é utopia achar que o assunto pode virar figurinha fácil nas mídias (eletrônicas ou tradicionais), então sou o próprio Thomas Morus. Tenho essa meta no meu radar. Me irrita, um pouco só, essa resistência que os comentários de vocês dois revelam.
Quanto aos formadores de opinião... ora, Leo, quem você acha que está por tras de tudo?

leop10 disse...

O Boninho.

Lúcia Motta disse...

Aí, vamos enveredar pela influência perniciosa, e maléfica, e controladora, e outros adjetivos desabonadores para a onipresente Rede Globo de Televisão. Que, aliás, tem um nominho fraquinho... mas, em compensação!