quarta-feira, 23 de maio de 2012

Não estamos preparados

A palavra inovação não sai mais das páginas dos jornais, revistas, blogs e portais de informação. Não precisa mais ser uma revista técnica para a palavra estar lá, estampada em manchetes. No entanto, cade aquela explicação rápida que vem entre parenteses, travessões ou vírgulas? 
O jornalismo tem como tarefa fazer a tradução de assuntos complexos para um linguajar que seja inteligível pela maioria de seus leitores. O jornalista não precisa entender de tudo, mas precisa descobrir o que é "quase" tudo. Eu, jornalista, falo em inovação constantemente. Mas, confesso que não sei traduzir o termo em poucas palavras.
Inovação pode ter vários significados - o genérico é: novidade, renovação. Mas, não é simples assim. Para uma empresa, inovação pode ser uma maneira revolucionária de administração. Para essa mesma empresa, pode ser um novo processo de fabricação de determinado equipamento ou um novo equipamento que vai melhorar a sua performance no mercado.
Uma definição simples ocupa toda uma página do site Inventta - Inteligência em Inovação (veja no link).
O resultado de uma palavra atraente e repetida incansavelmente é que há um crescimento exagerado de perguntas sobre possíveis "inovações" que parecem a seus criadores o pote de ouro no final do arco-íris. Um ou outro acredita que sua "inovação" é revolucionária e precisa ser protegida.
Às vezes, é só uma ideia. Outras, um protótipo. Pode até ser que seja uma inovação, de fato, que mereça ser protegida para render frutos ao seu criador. Como saber???
E, aí, chegamos ao título.
A proteção de uma inovação para que ela venha a dar lucro passa por seu tratamento estratégico; seja protegendo com patente, direito autoral ou outro tipo de registro, seja pelo segredo de negócio. Tudo é uma opção de negócio.
Ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (que, na minha opinião, deveria ser Intelectual - tema para mais tarde) - INPI caberia esclarecer sobre o caminho a tomar, e como seguir esse caminho. Pois então, não estamos preparados para isso. 
Para começar, não há um consenso interno no Instituto sobre a melhor maneira de falar no assunto sem ferir os rigores técnicos e sem provocar arrepios em advogados e técnicos legalistas.
Em segundo, não há pessoal suficiente para atender aos cidadãos que se sentem atraídos pela palavra insistentemente publicada (INOVAÇÃO) e pelas idéias sempre brilhantes que temos em nossos devaneios. E digo mais, não há pessoal suficiente e muito menos com disposição para ouvir com atenção às "mentes criativas" que procuram o Instituto. Estamos vendendo um peixe que não pescamos, ainda. E não parecemos dispostos a descer ao lugar comum para explicar o que de fato há de inovação - que renderá ganhos ao criador - naquela ideia brilhante. 

2 comentários:

leop10 disse...

Inovação = tecnologia desenvolvida de apelo comercial. Esta é a minha contribuição para a definição. Quanto à questão de estarmos ou não preparados: realmente esta capacidade - consultoria - nunca foi apreendida ou estimulada no INPI. O maior potencial adormecido desta área se encontra na Diretoria de Contratos, justamente no setor de Contratos, por toda a experiência acumulada. Mas é óbvio que isso poderia transbordar para todas as demais áreas técnicas. A Diretoria de Marcas, por exemplo, poderia ter uma área de consultoria em Branding. A própria Diretoria de Contratos, que cuida de outros registros também, poderia ter uma consultoria em Design. Patentes e CEDIN tem todo o potencial para trabalhar com consultoria alicerçados em Informação Tecnológica! O mercado é carente de uma palavra de peso nesse sentido, porque sim, existem consultores privados que fazem essa parte e são muito bem remunerados para isso. Mas ter um organismo que potencializasse as empresas brasileiras como um todo não seria nada mal. Afirmar, de olhos fechados, que isto é trabalho para a iniciativa privada, é não observar que o próprio Governo tem suas pontes em outras áreas de grande atuação "privada" - desculpe a repetição de termos. Um exemplo: Banco do Brasil. Mas primeiro temos que alçar um certo órgão a condições mínimas de autonomia para voos mais altos. Será que podemos lutar tantos combates pesados em tantas frentes distintas. Há que se pensar!

Lúcia Motta disse...

Pois é, Leo. Não vejo com clareza essa limitação entre função do Estado e da iniciativa privada.
Minha visão é meio "simpleszinha": existe uma demanda por consultoria em inovação - do ponto de vista da técnica - e um certo instituto federal tem condições de suprir. Por que não? Pergunta simples de resposta complicada.
Tenhamos a santa paciência.